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sábado, 23 de junho de 2012

Alimentos que diminuem os sintomas da TPM

por Tamaris Fontanella 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina

A TPM é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que ocorre nos dias que antecedem a menstruação. Seus principais sintomas são: dores nas mamas, inchaço, aumento do apetite e ansiedade, entre outros.

Há uma linha de pesquisadores que acredita que os sintomas da Tensão Pré-Menstrual - TPM nada mais são que indicadores de um desequilíbrio orgânico. Em outras palavras: o corpo está mandando sinais de que estão faltando nutrientes. Uma dieta balanceada pode atenuar os sintomas da TPM. 

Alimentos, tais como: óleo de girassol, nozes, castanhas e gérmen de trigo são ricos em vitamina E, um potente antioxidante, que ajuda a regular a produção de neurotransmissores e, conseqüentemente, a diminuir a irritação, ansiedade e a dor nos seios. 

Os feijões, principalmente a soja, são boas fontes de vitaminas do complexo B, importantes na metabolização e eliminação de toxinas, aliviando os sintomas da TPM. 

Os cereais integrais, principalmente a aveia, e as oleaginosas por serem fontes de magnésio, auxiliam no combate á retenção de líquidos. É importante reduzir o consumo de sal e beber muito líquido, principalmente água. 

Leites e iogurtes, semente de gergelim e couve são ricos em cálcio. Este sal mineral ajuda a aliviar as cólicas e o mau humor.

As frutas e as verduras são ricas em vitaminas e em minerais, além do alto teor de água, o que ajuda a regular os hormônios femininos e a combater a TPM.

A semente de linhaça, um antiinflamatório natural, ajuda a reduzir as cólicas e a retenção de líquidos. Tanto as cápsulas de linhaça, quanto as de prímula, são ricas em ômega 3, gordura que melhora a pele, protege contra inflamações, cólicas, inchaço e alterações de humor. 

Os chás de calêndula, barbatimão e agoniada servem para relaxar e combater o inchaço. Também o morango, a melancia e a salsa; As nozes e castanhas possuem gorduras polinsaturadas que ajudam a combater a inflamação. 

Recomenda-se diminuir a ingestão de gorduras, sal, açúcar, chocolate, refrigerantes, álcool e cafeína, pois podem agravar os sintomas.

Associando uma boa alimentação a uma atividade física, que estimula a produção de endorfinas e gera a sensação de bem estar, passar pela TPM com saúde e beleza vai ser muito mais fácil!



Fonte: Flávia Morais Nutricionista 

terça-feira, 8 de março de 2011

Gerânio: o óleo essencial feminino (TPM e Menopausa)

por Tamaris Fontanella 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina
Com um aroma floral, forte e intenso, a substância possui um cheiro similar ao de rosas. Conhecido por ser um óleo tipicamente feminino, o gerânio atenua os efeitos desagradáveis da Tensão Pré-Menstrual (TPM), trazendo estabilidade emocional, e da menopausa, combatendo as ondas de calor e os estados depressivos típicos desta fase da vida.


Para ajudar a minimizar os sintomas da TPM, como dores de cabeça, irritação, cólicas, dores nas mamas, enjoos e, principalmente, oscilações de humor basta misturar duas gotas de gerânio com duas gotas de óleo essencial de grapefruit e duas gotas de óleo essencial de pau rosa. Essa sinergia pode ser colocada em creme ou gel neutro e aplicada diariamente no corpo. Ainda é possível utilizar a mistura em escalda-pés ou aromatizadores de ambiente.

Também conhecido como o óleo da coragem, o gerânio dá estímulo para correr atrás dos objetivos, tomar atitudes e enfrentar os desafios do dia-a-dia. Encontrada principalmente na África do Sul, Madagascar, Egito e Marrocos, essa substância ainda tem propriedades antissépticas, antidepressivas, diuréticas e é bactericida. Além disso, pode trazer bem-estar e relaxamento. Quando combinado com a lavanda e a bergamota, reduz o estresse e acalma a mente, e ajuda nos processos de síndrome do pânico e depressão.



Beleza de dentro para fora

Se for usado com o óleo de mentha, o gerânio pode ajudar a controlar todo tipo de vício, como cigarro, álcool e drogas. Essa sinergia também ajuda nos processos de emagrecimento, principalmente se a pessoa tiver uma alimentação saudável e balanceada, atrelada à prática da atividade física. Já se a mulher sofrer de baixa autoestima, ela pode apostar na combinação de gerânio e eucalipto stageriana para trabalhar o brilho interior e o amor próprio.

Como se não bastassem todos esses benefícios, o gerânio também ajuda a deixar as mulheres ainda mais bonitas. O óleo essencial pode ser utilizado junto com creme ou gel neutro para equilibrar, hidratar e devolver o brilho da pele, principalmente em épocas de frio.

A aromaterapia vibracional disponibiliza os óleos essenciais vibracionais, que por meio de compostos personalizados ajuda a tratar diversas áreas da vida. Para ajudar você a escolher a melhor sinergia para seu momento, consulte um aromaterapeuta.



Texto de Solange Lima

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sempre tive colicas no primeiro e segundo dia da mestruação posso esta com endrometriose

por Tamaris Fontanella 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina
a cólica menstrual progressiva é um dos sintomas da endometriose, porém é acompanhada de dor na relação sexual, sangramento fora do período e infertilidade. A cólica pode ser indício de outros sintomas, como por exemplo falta de ferro no organismo, uso prolongado de absorventes internos, excesso de produção de prostaglandinas (hormonio) e defesa psicosomática.




Pergunte que eu respondo!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Sangue da Lua

por Coordenação Espaço Anima 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina

A menstruação da mulher, o chamado sangue da lua, pelos ocultistas, seu ciclo hormonal, é fator primordial para abertura de portais da consciência e do saber.
As sociedades arcaicas matriarcais sabiam disso e reverenciavam o poder da anima feminina de gerar vida tal qual nossa Mãe Terra - Gaia.

Estatuetas esculpidas em pedra datadas com mais de vinte mil anos, mostrando figuras femininas em estado de gestação foram encontradas em sítios arqueológicos de diversas regiões da Europa, Ásia e África; posteriormente a famosa Cartago que possuía uma sociedade bastante especializada venerava a deusa Tanit.

Até o judaísmo antigo teve nos seus primórdios uma deusa mãe forte, poderosa e criadora; depois cultuando Jeová e o poder masculino os sacerdotes judeus colocaram as mulheres em segundo plano chegando a considerá-las impuras durante seus ciclos menstruais.
Após séculos de repressão psíquica, as mulheres hoje podem optar pela sua feminilidade sem abandonarem o poder e é isso que vem assustando alguns doutores que sob alegações de que o ciclo menstrual traz dissabores tais como cólicas e alterações de humor induzem, principalmente jovens, a tomarem medicamentos e renunciarem a sua força – o sangue menstrual e a ovulação.
Mas estas modulações hormonais que acompanham a mulher já na sua infância passando à puberdade, maturidade e velhice é que dão a ela características especiais, não só de complementar o homem em sua jornada e empreendimentos, como de ter uma percepção das nuances da vida, muito além do campo denso e material, pois a mulher possue uma comunhão estreita com a Terra, a Natureza, seus elementais: gnomos, devas, duendes, silfos, plantas , animais , sopros e ventos; esta é sua força criativa, então porque suprí-la?
Todos temos os mesmos direitos perante a sociedade, mas homens e mulheres não são iguais.
Somos pequenos pontos de luz a brilhar nas vastidões do universo, cumprindo cada qual a tarefa a que foi designado pela grande mente criativa , a quem chamamos Deus/Deusa...
...é disso que não podemos nos esquecer nunca!

http://www.imagick.org.br/zbolemail/Bol05x09/BE09x13.html
Postado por Anna Geralda Vervloet

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Como deixar de ser mulher: 10 lições

por Tamaris Fontanella 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina

Caso você esteja cansada de ser mulher este texto é pra você. Seguem 10 lições para serem seguidas e em breve você estará agindo, pensando e sentindo como um homem, tome nota:



1- Tome anticoncepcional, de preferência aquele que faz você parar de menstruar de vez, menstruação pra quê? Não tem função nenhuma, dizem alguns médicos, logo você menstrua por um erro da natureza. Pare de sentir cólicas, economize o dinheiro gasto com absorventes e viva de forma linear, nada de flutuações hormonais ou emocionais. Desligue-se completamente dos ciclos lunares e da sua porção natural.

2-Não acredite em intuição, tudo crendice, acredite que o que vale é o racional, a lógica. Dois mais dois serão sempre quatro, o resto é mentira, enganação, misticismo puro de gente ignorante que acredita em ervas, chás, energia, coisas sem comprovação científica. Não acredite nos sonhos, em anjos, nos astros, em simpatia, em milagres, sexto sentido é algo para esotéricos, não para você. Abafe todos os seus instintos.

3- Não tenha amigas mulheres, entenda de uma vez por todas que as mulheres são seres não confiáveis, ou seja, uma hora ou outra elas vão puxar seu tapete, aliás elas adoram fofocar e falar sobre coisas sem importância: falam de sentimentos, de novela, trocam receitas e conselhos. Você não precisa disso, portanto ande apenas com homens, a menos que seu chefe seja uma mulher.

4- Gaste seu tempo com coisas úteis: nada de preparar comida fresca e saborosa, prefira os enlatados, comida congelada ou pizza, domingo vá na churrascaria. Nunca faça bolos ou tortas, esqueça pães, assados e massas caseiras, aquela receita da sua avó rasgue para não cair em tentação. Leve toda a roupa para a lavanderia, deixe seus filhos estudarem em período integral, afinal você se mata de trabalhar para que eles tenham o melhor video game. Lembre-se que quanto mais atrativos tiver o vídeo game mais tempo eles ficarão ocupados sem perturbar a sua paz. Veja como sempre vale a pena investir em tecnologia.

5- Separe sexo de sentimento. Quando você for para a balada sempre carregue a camisinha na bolsa, assim se você mirar um super gato e ele entrar na sua, você não corre o risco de perder uma transa espetacular. Afinal amor é amor, sexo é sexo, transar com um cara hoje e outro amanhã é super natural e a pílula e a camisinha vieram mesmo pra isso, pra te liberar, pra você não precisar nunca de um companheiro. Felicidade a jato, isso é o que importa; afetividade, namoro, compromisso, morar junto ou casar, ter filhos, tudo coisa de mulherzinha.

6- Trabalhe muito. Lembre-se que tempo é dinheiro. Você vale o que você produz, faça com que seu chefe esqueça que você é mulher, nada de cólica menstrual (vide item1), nada de ligar pra casa pra saber do filho que ficou com febre, nunca derrube uma lágrima. Emende uma pós-graduação na outra, e se possível um curso de inglês avançado junto com espanhol, mas não descuide do mandarim. Se você começar a sentir muita tristeza procure seu médico que ele te recomendará um antidepressivo. Se tiver problemas para dormir, não deixe de relatar na consulta, hoje em dia existem ótimos indutores de sono que fazem você dormir como um anjo, só precisa da receitinha azul.

7- Evite o auto-conhecimento. Não se auto-analise e nem pense em procurar um(a) Terapeuta. Apenas sua aparência externa merece ser valorizada, afinal num mundo competitivo você tem que estar cada vez mais magra, jovem e bonita. Nunca esqueça a data exata de sua próxima aplicação de botox ou de retocar a escova progressiva. Cuidando sempre de sua aparência você evita dois dissabores: ter tempo de pensar em seus sentimentos (os poucos que sobraram caso você tenha seguido as lições anteriores) e não se permitir jogar contra o mundo corporativo-consumista. Faça parte do sistema!

8- Delegue a educação dos seus filhos. Nada de contar histórias, amamentar, ficar com eles durante a licença maternidade, lembre-se: eles vem, crescem, corrompem e vão embora (já ouvi esta frase em algum lugar), não perca tempo com esses seres ingratos, delegue tudo para sua sogra, sua mãe, para uma babá e em último caso para a escola. Educar dá muito trabalho, é cansativo, delegue, assim você ganha tempo e pode planejar melhor a sua carreira.

9- Não seja criativa. Evite pintar, escrever, tecer, bordar, cantar, cozinhar, arrumar armários, mudar os móveis de lugar. Comprar flores é bobagem, elas morrem logo e custam caro. Essas atividades primitivas utilizam partes arcaicas de seu cérebro. Aproveite este tempo para fazer coisas realmente produtivas: leve trabalho extra pra casa e estará mais perto daquela promoção! Lembre-se, o que vale é a logística.

10- Acredite, ser mulher não tem graça nenhuma. Usar laço de fita, batom, gloss, cílios postiços, salto alto, meia fina, parir, menstruar, TPM, que coisas mais desagradáveis. Deus devia ter parado sua obra quando fez Adão. Adão sim poderia ter sido feliz se tivesse solicitado um prozac em vez de pedir uma companheira, poderia, assim, estar até hoje habitando o paraíso. Última coisa: Peça perdão a Deus pelo pecado original e esqueça de vez que você é ou foi um dia parente daquela pecadora da Eva. Boa sorte!

P.S.: Este texto não é uma crítica aos HOMENS, tão pouco este texto é uma crítica as MULHERES HOMOSSEXUAIS, ser homossexual/bissexual nada tem a ver com perder contato com sua porção sagrada. Este texto pretende ser uma reflexão para as MULHERES que adotaram um modelo mecanicista e não feminino de vida, desligando-se de seus ciclos, ritmos e de sua verdadeira natureza sábia e instintiva e que hoje se encontram perdidas e infelizes. Acordem irmãs!

texto de Carla Lindolfo

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Intrumento primeiro de alegria

por Coordenação Espaço Anima 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina
Há, no mundo, três bilhões de mulheres. Só oito são top models." Esse slogan da marca Body Shop, que foi surpreendentemente veiculado junto com uma espécie de Barbie loura e gorda, nos diz que existem dois corpos de mulher: um, real, cotidiano e comum à maioria; outro, idealizado e raro - um modelo.

Mas seriam só dois corpos, da mulher? Ou poderíamos subdividir nosso corpo em tantos outros corpos, um para cada intenção do olhar que nos observa? Unas e fragmentadas, somos corpo-sedução, corpo-sexualidade, corpo-maternidade, corpo-estética, corpo-saúde, corpo-religião, se é que não estou esquecendo algum. E cada corpo de que somos investidas assume o poder sobre os outros, assume o poder sobre nós.

"Nosso corpo nos pertence" gritamos um dia voltadas para o corpo-maternidade, sem perceber que o grito, visto no todo, era mais um desejo do que uma afirmação. Nosso corpo, aquilo que acreditamos ser nosso mais concreto bem individual, não nos pertence de fato, e nunca nos pertenceu. É uma criação coletiva, moldada pelos interesses, pelas necessidades e pelos conhecimentos da comunidade. É uma entidade que, nascida para nos servir, cresce para servir também aos outros, para encaixar-se, o mais harmoniosamente possível, no intrincado mosaico que constitui a sociedade. E é justamente na harmonia desse encaixe, mais do que na individualidade sonhada, que reside nosso bem-estar.

O preço da maçã
Eva tinha, pelo menos na imaginação dos que a retrataram, um bom corpo, um tanto fofo talvez, mas sem que ela soubesse, posto que não havia nenhuma outra mulher com quem se comparar. Vivia feliz com Adão no relax do Paraíso Terrestre. O sexo, a maternidade, o trabalho, a saúde não faziam parte das suas preocupações.

Preocupações, aliás, não tinha de espécie alguma. Não precisava nem mesmo preocupar-se em seduzir Adão ou em mantê-lo. Eva nem sequer menstruava. Nada de cólicas ou TPM. Seu corpo era puramente natural, como uma palmeira. Até comer a maçã (algo me diz que o gesto só lhe foi tributado porque não deu certo. Tivesse sido um sucesso, atri-buíam a Adão). Então Deus a castigou, não apenas introduzindo no seu corpo as dores e a servidão do parto, mas tomando dela esse corpo e entregando-o a quantos ela viesse a procriar povoando o mundo.

Como o Visconde Medardo de Terralba dividido ao meio por um tiro de canhão no romance de Italo Calvino, assim também fomos imediatamente divididas em duas pela maldição divina. De um lado a santa, do outro a pecadora. Quantas restrições para o corpo da santa, que não podia mostrar-se, que não podia ter prazer, que existia só para parir e amamentar. Quanto obrigatório prazer para o corpo da pecadora, que devia exibir-se, vender-se, evitar filhos, até eventualmente pegar uma boa doença e abandonar qualquer dessas atividades para sempre.

Mas assim como nos partiram, também nos emendavam. A virgindade foi a cola que durante séculos fez de nós um só corpo, urna do sagrado. Virgens destinadas desde a infância aos templos ou aos conventos, fomos a proteção da sociedade. "Em todos os lares cristãos é necessário que haja uma virgem, pois a salvação da casa inteira está nessa virgem. E quando a ira recair sobre toda a cidade, não recairá sobre a casa em que houver uma virgem", escreveu Eusébio de Emesa no século III.

Do nosso corpo dispunham, para o bem e para o mal. No nosso corpo mandavam, para a abundância ou para a contenção: que paríssemos muitos filhos quando a expansão era necessária, que deixássemos de pari-los quando a expansão era excessiva. O corpo que havia sido de Eva não era mais natural como uma palmeira, havia-se transformado num corpo social e a sociedade - dos homens - ditava as regras para ele.

Ainda ditam, mas de maneira mais sutil. Tivemos primeiro que libertar nosso pensamento. Depois foi a palavra. E só então pudemos começar a libertar o corpo. Foi um longo processo.

Do inferno ao paraíso
Hoje, nos Estados Unidos, calcula-se que a cada 100 pessoas, quatro chegarão aos 100 anos. Posso estar errando o dado, mas o que me interessa é que a meta dos 100 anos está entrando na normalidade. No século II d.C., auge do Império Romano, só quatro cidadãos, em cada 100, passavam dos 50. E a expectativa média de vida era de 25 anos. Em breve, portanto, teremos multiplicado nossa vida por três ou, se quisermos ser mais modestos, por dois.

Olhando os afrescos romanos daquele tempo poderíamos crer que nosso corpo continua o mesmo. Seria um equívoco. Mudou sobretudo nossa relação com ele.

Empurramos a morte para mais longe. Depois começamos a empurrar para longe a velhice. Agora, tendo começado por ficar mais tempo velhos, estamos querendo ficar mais tempo jovens. Eternamente, se possível. E nessa corrida pela manutenção da juventude e da beleza as mulheres são as mais empenhadas.

Um bom negócio, sem dúvida. Fornecemos beleza a longo prazo para o deleite de alheios olhos e pagamos por ela, movimentando o mercado com mais de US$ 20 bilhões anuais para a indústria de cosméticos, 33 bilhões para a indústria das dietas, e 300 milhões para a cirurgia estética. Engasgado com isso ficaria São Cipriano, arcebispo de Carthoye, que em tempos bem distantes escreveu: "Cuidado, Deus pode vos lançar ao inferno por não vos reconhecer sob as máscaras de pintura."

Deus não nos lançaria ao inferno. Ao inferno nos lançamos nós mesmas, sorridentes. Ao inferno das academias, dos regimes, da corrida, da bicicleta, do alongamento, dos halteres. Suamos mais do que se queimadas pelas chamas, para conquistar o paraíso da forma física, das nádegas rígidas, das coxas sem celulite, do corpinho sarado. Ao contrário dos ascetas gregos para quem "muitos exercí-cios, muita comida e bebida, muita evacuação dos intestinos e muita copulação" eram "sinal de falta de refinamento", consideramos falta de refinamento fazer pouco ou nenhum exercício. E embora concordemos com o resto, é em grande parte pensando na "copulação" que mantemos um olho no espelho e outro na balança.

Depois de tanta cisão, a maioria das mulheres conseguiu emendar a santa e a pecadora. Nosso santo corpinho quer se exibir, e para isso o tratamos. A mãe de família conquistou o direito de usar biquíni, embora perdendo com isso o direito aos peitos caídos. Em parte graças a nossas hoje já antigas reivindicações, o mundo descobriu aquilo que de repente nos parece um ovo de Colombo, que saúde e sexo andam juntos, para ambos os gêneros em igual medida. Que o corpo é nosso primeiro instrumento de alegria. E que amar é a forma mais gratificante de estar jovem.
por Marina Colasanti

A mulher e o espelho

por Coordenação Espaço Anima 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina

Nós, mulheres, escondemos um segredo. Escondemos um segredo de nós mesmas.
Miramos o espelho e nos vemos feias, gordinhas, não mais atraentes.
Encaramos a face no espelho e não mais a reconhecemos... Nos sentimos perdidas .
Dentro de nós mora um ser... e esse ser é o nosso segredo. Nós somos esse segredo. Somos filhas da Grande Mãe.

Dentro de nós esse ser espera por sua plenitude, o momento de libertação, de expansão.
Esse ser espera com ansiedade o momento de dançar alegre a Roda do Ano.
Mas nós adiamos... adiamos... deixamos para uma outra hora. Há sempre coisas mais importantes para fazer, outras decisões para tomar, outro trabalho para fazer.
“Talvez um vestido novo me faça sentir melhor”... “Talvez se eu disser aquilo que ele quer ouvir, eu o tenha”... “Se eu não tivesse essas orelhas de abano”... “Não posso fazer isso, meus filhos são prioridade”... “O que eles vão pensar de mim?”...
E a cada dia mais deixamos escondido o ser dentro de nós, o nosso pedaço Deusa.
Não sabemos mais quem somos, não sabemos se o que somos é fruto de nosso desejo, ou se esse é o desejo daqueles que nos cercam.
Então, de nada vale um novo vestido, uma nova conquista, a posição elevada de um cargo.
Mesmo diante de tudo isso, quando mirarmos o espelho, ainda nos sentiremos perdidas, vazias, ansiando por algo que não está em parte alguma do mundo.
É preciso ouvir o sussurro da Grande Mãe.
No mais das vezes não conseguimos, só escutamos seu choro.
O ser que chora dentro de nós quando negamos tudo aquilo que somos, quando fechamos nossos olhos para o nosso próprio brilho.
É nesse momento que nosso corpo se transforma em dor, em vergonha, em insatisfação.
O choro da Grande Mãe pode ser sentido em cada cólica menstrual. No sangue sagrado que chamamos de “incômodo”. Nos envergonhamos da nossa própria fonte de vida... o ser dentro de nós chora.
As lágrimas da Senhora podem ser vistas na escravidão estética, nos desequilíbrios de um corpo em busca de aprovação. Em busca não de sua própria aprovação e satisfação, mas da aprovação e deleite da sociedade.
O soluçar sentido da Donzela poder ouvido quando sufocamos o nosso prazer, quando uma noite de prazer se transforma em desagrado, quando um toque nada traz.
Nos sentimos perdidas, não sabemos mais o que realmente buscamos.
É preciso ouvir a voz da Deusa, encarar o espelho como um aliado, a ponte para o nosso segredo.
É preciso deixar aflorar todo o poder latente, a força que pulsa dentro de cada um de nós. Olhar para si e enxergar a Divina em suas múltiplas faces... e sorrir.
É preciso buscar em nosso labirinto a Deusa e trazê-la para nosso rosto, para nosso corpo, para nosso consciente.
Somente quando miramos o espelho e enxergamos a Deusa é que seremos plenas. É desse momento em diante que, sim, um vestido novo será novo, uma conquista será uma conquista, um cargo será elevado.
Nesse momento, quando nossa face refletida no espelho traz a plenitude da Grande Senhora, somos novas mulheres, mulheres que conquistaram o segredo, mulheres elevadas.
E então, tudo fará sentido, tudo será sentido.

Funicelli
www.caldeiraodecirce.blogspot.com/

O resgate feminino e a conexão com o planeta

por Coordenação Espaço Anima 0 # Deixe seu comentário: Tecendo a Teia Feminina

Incomodada ficava a sua avó

Hoje relegada ao banheiro, a menstruação já ocupou um lugar de destaque na vida das comunidades matriarcais. Agora, as mulheres estão redescobrindo o poder inerente a esse ciclo cósmico-feminino. Adotar absorventes reutilizáveis, em vez dos poluidores descartáveis, é um dos passos nesse processo.

Alessandra Nahra


Uma pergunta para as mulheres: como você encara a sua menstruação? Como algo que incomoda, que vem de surpresa e a pega desprevenida, manchando calcinhas e causando cólicas? Como um inconveniente que você, se pudesse, não teria? Ou como apenas mais um dos fatos da vida, sobre os quais não temos nenhuma influência e dos quais queremos nos livrar o mais rápido possível?

Se alguma dessas descrições se encaixa na sua visão sobre a menstruação, você provavelmente prefere tampões e mal olha para baixo quando está trocando o absorvente. Quanto menos você ver, ou tiver que lidar com o seu sangue menstrual, melhor. A idéia de um absorvente reutilizável, que você lava em vez de jogar fora, é totalmente alienígena.

Afinal, "incomodada ficava a sua avó" - como dizia o anúncio. As mulheres modernas têm uma infinidade de opções de absorventes e tampões descartáveis. Você compra, usa e joga fora, e isso certamente é um progresso incrível. Fora que mulheres modernas não têm tempo para lavar absorventes. Para que, depois de conquistado o direito ao absorvente descartável, voltar ao tempo da sua avó, que tinha que lavar as embaraçosas toalhinhas higiênicas feitas de flanela?

O raciocínio acompanha os tempos atuais - nos quais, pela praticidade e economia de tempo, se sacrificam recursos naturais e a real qualidade de vida: levar uma vida consciente, em harmonia com o planeta. Os produtos descartáveis são vistos como um progresso e sinônimo de modernidade, porque evitam que se "gaste" nosso precioso e escasso tempo. Muitas mulheres, no entanto, estão preferindo voltar ao tempo da avó, abandonando o destrutivo progresso moderno por uma vida sustentável. E isso tudo pode começar bem perto de nós, no nosso lugar mais íntimo...

Poluição, recursos naturais e autonomia

Estamos pagando um preço muito alto pela praticidade moderna. A produção de descartáveis abusa de recursos naturais que mais cedo ou mais tarde se esgotarão. Absorventes são feitos de papel - leia-se árvores - ou algodão. As árvores, ou o algodão, passam por inúmeros processos de refinamento e branqueamento e acabam grudado na sua calcinha - de onde vão direto para o lixo. Imagine quantas mulheres em idade fértil vivem no planeta. Agora pense em quantos absorventes cada uma dessas mulheres usará durante sua vida fértil. Segundo Diana Hirsch, fabricante dos absorventes reutilizáveis aBiosorventes, "cada mulher usa em torno de 10 mil absorventes descartáveis durante sua vida fértil". Apenas nos Estados Unidos são jogados fora 12 bilhões de absorventes e 7 bilhões de tampões por ano.

Agora imagine para onde vai esse lixo, que não é biodegradável... Imaginou? Não, não existe um limbo dos absorventes. Eles não se desmaterializam assim que desaparecem da sua frente no lixinho do banheiro... Aliás, eles permanecem entre nós por muito tempo, deixando resíduos difíceis de processar, que aumentarão os lixões e a poluição. Certas partes do nosso "modess", por exemplo, podem levar até 100 anos pra se decompor.

Isso sem falar nos componentes químicos, como os agentes que fazem o papel ficar branquinho, e que acabam escorrendo para a terra e contaminando o solo. Por exemplo, a dioxina: subproduto do processo de alvejamento com cloro, é provavelmente a substância que deveria estar mais longe das delicadas partes baixas femininas - já que foi utilizada, numa concentração mais potente, até na guerra do Vietnam. Era conhecida então pelo nome de Agente Laranja.

Outro bom motivo para adotar os absorventes reutilizáveis é a economia. Reutilizáveis podem durar até oito anos, e isso representa um bocado de reais economizados - dinheiro que iria direto para o lixo na forma de absorventes descartáveis. E então chegamos na questão da autonomia. Todos os meses, as mulheres entregam o controle de um processo poderoso e íntimo nas mãos de corporações que não têm a saúde feminina como um de seus objetivos principais. Hoje em dia, se capitaliza tudo - até a menstruação. A publicidade nos diz que é moderno e prático utilizar absorventes e tampões, e nós acreditamos. Se passamos a controlar, nós mesmas, o que fazemos do nosso ciclo mensal, abre-se uma porta para que ocorra uma mudança profunda na maneira pela qual encaramos a "incomodação".

O resgate do feminino e a conexão com o planeta

Ao invés de incômodo, a menstruação pode significar uma chance de interiorização e cultivo da feminilidade. O sangue menstrual, detestado por inúmeras mulheres e considerado sujo em muitas sociedades, pode passar a ser visto de maneira diferente. E então, talvez a idéia de lavar nossos absorventes e reutilizá-los na próxima lua não parecerá assim tão maluca. Afinal, estamos colaborando para um planeta melhor, ao mesmo tempo em que se resgatamos nosso poder feminino.

O uso de absorventes não descartáveis representa um contato mais íntimo com você mesma. "Ao invés de jogar no lixo um sinal de fertilidade, você passa a se relacionar com este sinal, percebendo que a menstruação pode ser uma coisa positiva. É sinal de que você ovulou, e que não precisa ficar preocupada se seus hormônios estão ok ou não. É sinal de que você fechou um ciclo, assim como a lua, e que agora irá começar outro. É um sinal de esperança do seu corpo, pois é uma limpeza que ele está fazendo para no mês que vem se preparar novamente para gerar uma nova vida", lembra Diana Hirsch. "O ciclo menstrual é um grande presente em termos de flexibilidade, regeneração e criatividade. É um instrumento poderoso para se viver autenticamente, com responsabilidade e consciência", completa Nadia MacLeod, responsável pelo site australiano Menstruation. "Lavar os absorventes e reciclar o sangue no jardim, me mantendo conectada com a Terra, me ajuda a ter consciência dos ciclos da vida".

Morre a Grande Deusa e nasce o patriarcado


É preciso mesmo parar de olhar com repulsa, vergonha e medo para esse ciclo que acontece com todas as mulheres. Esse sentimento de sujeira, na opinião de Diana Hirsch, é resquício da sociedade patriarcal em que vivemos. Mas a humanidade nem sempre viveu no patriarcado. Há muito tempo, existiam sociedades de organização matriarcal, nas quais as mulheres eram respeitadas e veneradas e Deus não era Deus - e sim Deusa. Segundo Nadia MacLeod, na medida em que o patriarcado começou a se expandir, as culturas baseadas no culto à Grande Deusa ou à Mãe-Terra foram dizimadas ou se esconderam. "Com isso, se perdeu a reverência, conhecimento e poder inerentes ao ciclo menstrual. Lara Owen, no livro Seu Sangue é Ouro - resgatando o poder da menstruação, completa: "Nos últimos milhares de anos, todas as principais religiões do mundo tornaram-se patriarcais, e todas elas valorizam o intelecto e o espírito acima do corpo e dos instintos".

As sociedades que cultuavam a Grande Deusa viam a menstruação como um processo mágico, quando a mulher podia se conectar com os ciclos do planeta e da vida. "Durante muito tempo, até a Idade Média, vários rituais de fertilidade em adoração à Deusa eram feitos quando as mulheres da tribo estavam menstruando", diz Diana. "O sangramento periódico das mulheres era um acontecimento cósmico, como os ciclos da lua e a subida e descida das marés", afirma Elinor Gadon no livro The Once and Future Goddess. Nadia MacLeod completa: "A menstruação, que já foi considerada uma ferramenta de alto poder de cura para as mulheres e suas comunidades, agora está confinada ao banheiro".

Onde encontrar absorventes reutilizáveis no Brasil?

aBiosorventes: bonitinhos e ecologicamente corretos
Bom, sempre dá pra fazer você mesma - ou mandar fazer na costureira ou na casa da avó, que tem máquina de costura. Mas agora já dá para comprar pronto aqui também, o que antes era um privilégio de americanos e europeus. Bonitinhos e ecologicamente corretos, os aBiosorventes são os primeiros absorventes reutilizáveis produzidos em escala comercial no Brasil.

Quem responde pela obra é Diana Hirsch, uma geógrafa carioca de 26 anos que está se preparando para cursar mestrado em Saneamento Ambiental. Tudo a ver com a função de fabricante e divulgadora de absorventes reutilizáveis: "Meu interesse é juntar a saúde da mulher com a questão dos resíduos sólidos, atrávés do aBiosorvente".

O projeto iniciou depois que Diana assistiu a um vídeo, produzido pelo curso de comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chamado Conexão: Dioxina. "Esse vídeo explicava o que era a dioxina, e mostrava que na Alemanha as pessoas tinham a opção de comprar produtos que não fossem branqueados. As meninas da turma pensaram então em fazer um absorvente que não precisasse conter dioxina".

Diana então foi para a Internet, pesquisar. Achou dezenas de opções de absorventes sem dioxina e reutilizáveis - todos caros de importar. Sabendo costurar, ela resolveu então fabricar seus próprios absorventes. "Algumas amigas quiseram, e as amigas das amigas também, e aí pensei que seria uma boa trazer essa discussão para o Brasil".

Os aBiosorventes custam R$ 4,00 - ou 3 unidades por R$ 10,00. Para comprar, visite o site.

Diana contou para Planeta na Web como é conviver intimamente com os aBiosorventes:

Planeta na Web - Como é a aceitação de seu absorvente reutilizável?
Diana Hirsch - Bastante diversificada. Tem pessoas que eu juro que vão entender de cara, e não entendem, e tem outras que eu explico só porque elas perguntam, pois acho que nunca entenderiam, e elas acham a idéia fantástica! Isso vem sendo muito bom para eu parar de julgar as pessoas só pelas aparências... Venho descobrindo que a aceitação dos aBios passa por uma discussão muito maior: desde uma auto-aceitação, não ter nojo de lavar o próprio sangue, até um envolvimento maior com o Planeta, de cada um ser consciente da sua parcela de responsabilidade e de possibilidade. Olhando com um olhar mais macro.

PnW - Como fazer para lavar? Não é anti-higiênico?
Diana - É tão simples como lavar uma calcinha, a única diferença é que você precisará deixar de molho antes. Eu costumo deixar de molho um ou dois dias, e depois coloco na máquina de lavar, mas tem gente que depois do molho lava no banho. Com relação à higiene: um absorvente reutilizável não é mais anti-higiênico do que uma calcinha. Se você se sente segura para usar uma calcinha reutilizável, não tem porque não se sentir segura para usar o absorvente. A única pergunta é: você lava bem a sua calcinha?

PnW - Menstruação ainda é um tabu, e não deveria, já que toda a mulher menstrua. Por que você acha que ainda é considerado impuro ou sujo?
Diana - Acredito que ainda é resquício da sociedade patriarcal que a gente vive. O homem não menstrua, e, em geral, não se sente muito confortável com essa situação. Colocar a menstruação com esse status talvez tenha sido necessário para se estabelecer a sociedade nos moldes como se encontra hoje. Uma mulher que vê a sua menstruação e sua condição feminina como algo de bom, certamente é uma pessoa mais fortalecida e segura da sua condição. Isso dificultaria muito o trabalho dos homens. Deve ter sido necessário esse domínio patriarcal por algum tempo, apesar de que eu não sei porquê. Mas acho que já podemos nos fortalecer novamente. Não para 'lutar' com eles, mas para podermos ser livres.


PnW - Qual o impacto que representa o cultivo de uma relação mais saudável com a nossa própria menstruação?
Diana - A nossa sociedade rejeita a menstruação, mas não foi sempre assim. Durante muito tempo, até a Idade Média, vários rituais de fertilidade em adoração à Deusa eram feitos quando as mulheres da tribo estavam menstruando. Até porque elas menstruavam juntas, o que era muito comum. Aliás, apesar do nosso distanciamento, ainda é possível perceber isso: muitas mulheres, quando moram juntas, ou são muito amigas, com muita afinidade, tendem a menstruar na mesma semana! Isso é muito interessante ser notado: por mais que evoluamos tecnologicamente, e cada vez mais nos afastemos da nossa origem animal, acontece algo dentro de nós, mulheres, todo mês, que tem uma estreita relação com a Lua e com outras mulheres próximas a nós. Isso pode nos trazer de volta a nossa condição humana, enquanto seres que também fazem parte da natureza.

Fonte: http://www.terra.com.br/planetanaweb/reconectando/ambiente/menstruacao.htm
 

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